Voz do Brasil
Um despacho da Reuters espalhou por sites da América Latina, ontem, que vem aí a TV Brasil. A estréia vai ocorrer daqui a uma semana, com a cobertura do primeiro dia do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, prosseguindo até o final do evento, uma semana depois. A língua a ser usada no canal não é o inglês nem o português, mas o espanhol. Pelo registro da agência britânica, "o objetivo principal será promover a integração dos povos da América do Sul". Além das emissoras vinculadas à Radiobrás, os telespectadores sul-americanos vão assistir às imagens estimulantes das estatais TV Senado, TV Câmara e TV Justiça. Pefelistas já questionavam ontem em "O Globo" os contratos fechados pela Radiobrás para o novo canal, que "podem ser legais, mas qual é a utilidade disso?". A Reuters observou que o lançamento coincide com "a aspiração do Brasil de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU". Nelson de Sá
fonte: Folha de São Paulo 20/1/2005
Escrito por Editoria às 01h56
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"É comum menosprezar a inteligência do espectador" - por Leila Reis
entrevista
Atriz fala sobre dificuldades que enfrentou em Hoje É Dia Maria e que não fará mais novelas inteiras Dama do teatro, da TV e do cinema, Fernanda Montenegro está orgulhosa de integrar o elenco da microssérie Hoje É Dia de Maria, em que interpretou a cruel madrasta da pequena protagonista. Diz que o resultado compensou as dificuldades e que a aceitação do público só surpreendeu porque é praxe achar que o "facilzinho" é que dá ibope. Nesta entrevista, a premiada atriz conta que não vai mais fazer novelas inteiras. "Repetir não é do meu temperamento, gosto de fazer coisas que não sei." Novela nunca mais? Não é assim, mas uma novela inteira nunca mais. É um trabalho exaustivo, que vai se tornando desinteressante. É esticar a corda além do possível. Já foi mais fácil? Até a novela Zazá foi possível, acho que ainda estava me surpreendendo com a industrialização do processo. No período em que se faz novela, a gente morre para o mundo, não vai a lugar algum. Eu tenho outros interesses: cinema, teatro e minha vida. Como é fazer minisséries? Ser chamada é uma espécie de premiação, porque é um trabalho de mais qualidade, porque se tem ambição de fazer um DVD ou filme, como O Auto da Compadecida. Como foi trabalhar em Hoje É Dia de Maria? Extraordinário, foi um trabalho de muita coragem. É maravilhoso, no momento em que coisas estão desinteressantes, achar alguém que te abre uma caixinha. Interessante é fazer algo que você não sabe como se faz. Repetir não é do meu temperamento, gosto de fazer coisas que não sei. O som dos primeiros episódios não estava muito nítido. Você estava gripada? O palco no qual trabalhamos - a bolha - não tinha ar refrigerado, havia muita fumaça para compor aquela luz, poeira. Foi como trabalhar dentro de um forno de pizza horas seguidas. Houve uma gripe geral, mas nos salvamos. O problema do som não foi por minha causa, mas problemas técnicos. Foi muito difícil trabalhar? A maior dificuldade foi o calor, mas se não fosse daquele jeito não teríamos aquelas imagens. Depois que a gente faz, vê que está bonito, a tendência é achar que foi fácil. A adesão dos atores mais ligados ao teatro foi imediata. Foi quase uma ópera, uma cenografia teatral em cima de um tablado onde se caminha e nunca sai do lugar. Foi um trabalho muito marcante e uma audácia do Luiz Fernando Carvalho. Qual foi o momento mais difícil? A hora em que dou uma surra na Mariazinha (Carolina Oliveira). A cena foi dura, comecei a bater em cima da caixinha de som que fica na cintura da menina, pancadaria da boa que até machucou a minha mão. Maltratar criança é muito duro, ainda bem que não era eu, mas a madrasta de Maria. Hoje É Dia de Maria deu audiência de novela. Você acha que o telespectador mudou? A gente prejulga o telespectador, acha que só o que é facilzinho é penetrável e tem ibope. Muitas vezes se nivela por baixo para facilitar, porque se supõe que ele pode não entender e se aborrecer. É tão comum menosprezar a inteligência de quem está nos assistindo que, quando dá certo, ficamos espantados. O público mudou, é capaz de gostar de temáticas que não o cortejam como Hoje É Dia de Maria. Você tem projetos para a TV? Não, há 4 anos tenho feito cinema, participando de projetos irrecusáveis. Em maio será lançado Casa de Areia, de Andrucha Waddington (genro), em que contraceno com a Fernanda (filha) e vou ao festival de Berlim apresentar Redentor, de Cláudio Torres (filho). É bom trabalhar em família? É bom, é como no circo, a gente vai vivendo junto, passando por experiências, sofrendo. Como participar da cerimônia do Oscar te marcou? Foi fantástico, mas deu para ver que é um mundo mais da indústria do que da arte. Para o meu imaginário pareceu coisa de ficção científica estar perto de atores como Jack Nicholson, Meryl Streep e eles nos olharem como igual. Leila Reis
fonte: O Estado de São Paulo 20/01/2005
Escrito por Editoria às 01h04
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