Nova entidade questiona hegemonia da Rede Globo

EMPRESAS

Bandeirantes, SBT, Record e Rede TV! aglutinam-se na Abra. As emissoras que não são a Rede Globo de Televisão decidiram juntar-se politicamente para brigar contra o que elas entendem ser um poder hegemônico e daninho ao mercado de comunicação brasileiro. Na sexta-feira à noite, Rede Bandeirantes, SBT, Rede Record e Rede TV! instituíram oficialmente a Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), entidade criada para rivalizar com os objetivos da instituição representativa histórica do segmento, a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).
A nova associação foi criada com contabilizadas 440 emissoras de rádio e TV e pessoas jurídicas, na maioria associadas das quatro emissoras fundadoras. "A nova entidade surge da constatação, por parte de todas as emissoras, de que a Abert já há pelo menos 20 anos vem representando exclusivamente os interesses da Rede Globo", explicou ontem um dos criadores da Abra, o vice-presidente da Rede Bandeirantes, Antonio Teles, braço direito do presidente da associação recém-fundada, Johnny Saad, que também preside a Bandeirantes.
Procurada para responder às falas do representante da nova entidade, a direção da Rede Globo respondeu, por sua assessoria de imprensa, em São Paulo, que "não fala em nome da Abert". O telefone da Abert, em torno das 19h30 horas, logo após a conclusão da entrevista com Antonio Teles, não era atendido e estava conectado a aparelho de fax.
As divergências que culminaram com a debandada das várias redes da Abert vieram à tona seis meses atrás, quando os presidentes de Record, Dennis Munhoz, e Rede TV!, Amílcare Dalevo, renunciaram como membros da Abert por discordar das posições da entidade nas discussões sobre o pré-programa do BNDES de ajuda às empresas de comunicação em dificuldade.
"Percebemos ali que as posições da Abert visavam unicamente oferecer ajuda financeira para saldar dívida da emissora hegemônica e não se preocupavam em brigar por financiamentos produtivos, que é o que interessa para o setor neste momento", conta Teles. A cisão concretizou-se em maio, quando os representantes das grandes redes divergiram abertamente - todas contra a Globo - sobre os objetivos do financiamento do BNDES durante uma reunião com a Comissão de Educação e Comunicação do Senado, em Brasília.
Outra gestão de curto prazo da Abra será reunir dados e convocar todo o mercado publicitário para convencê-lo de que é necessária uma melhor distribuição de verbas entre os players do setor de televisão. "É evidente que há uma concentração no mercado publicitário de TV, resultado de persistentes ações políticas favoráveis à Globo. Envolve ações de toda natureza, que levam a um nível de proteção muito significativo", bate Teles, que defende um "melhor equilíbrio nessa estrutura de poder".
Ele exemplifica com o domínio do grupo Globo também no segmento de televisão paga. "As outras emissoras ficam privadas de oferecer conteúdo à TV paga, o que é descabido. Os organismos do governo já deveriam ter tomado uma providência e não tomam. Anotam nossos questionamentos mas não agem de fato para conter o problema."
Embora as emissoras que criaram a Abra reclamem de que o mercado publicitário beneficie a Globo, conferindo à líder proporcionalmente mais verbas do que corresponderia com base na audiência (60% dos aparelhos ligados, na média diária), dados da pesquisa Inter-Meios (da revista Meio & Mensagem) apontam o contrário. Segundo esses números, a verba publicitária destinada à Globo é menor do que 60% - da ordem de 55%.
Segundo dados do Ibope, a Rede Globo ganhou participação na audiência nacional no horário nobre (o chamado "prime time") nos dois últimos anos, revertendo a tendência de perda de pontos para a concorrência sobretudo nos anos 90. A emissora saltou no horário de 32 pontos em média para 39 pontos, nos oito primeiros meses deste ano, movimento que tem neutralizado os pesados investimentos das outras redes em busca de mercado. Ismael Pfeifer

fonte: Gazeta Mercantil 26/10/2004


Escrito por Editoria às 20h24
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Globo e SBT mobilizam TVs contra nova lei

EMPRESAS


Globo e SBT estão liderando mobilização nacional de emissoras contra a aprovação de um projeto de lei que, na interpretação de alguns executivos, pode tornar impositiva a classificação indicativa de programas e abrir brecha para a censura prévia.
O projeto foi aprovado na semana passada pela Câmara dos Deputados. Era, inicialmente, uma medida provisória que prorrogava para 2006 a obrigatoriedade de televisores vendidos no país conterem dispositivo bloqueador de programas indesejáveis.
A medida provisória recebeu nova redação na Câmara e incorporou artigos que legislam sobre a classificação indicativa -procedimento que sugere às TVs o horário adequado dos programas.
O projeto deve ser votado no Senado já em novembro. As redes estão pedindo a suas afiliadas que pressionem os senadores de suas regiões a não aprová-lo.
O texto prevê que os critérios de classificação serão editados por regulamento, ou seja, via decreto.
As redes avaliam que o texto é perigoso porque não estabelece limites e diretrizes ao novo regulamento. Não está definido, por exemplo, se telejornais precisam de classificação (hoje, não precisam). Assim, temem as TVs que governos interpretem a lei conforme suas conveniências.
O Ministério da Justiça, a quem compete a classificação, está convidando as TVs a participarem da elaboração das novas regras. Daniel Castro

fonte: Folha de São Paulo 25/10/2004


Escrito por Editoria às 20h18
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Riscos do monopólio na TV

Empresas

O Conselho de Comunicação Social do Congresso, formado por deputados e senadores e também por membros da sociedade civil, levará ao presidente do Senado, José Sarney, uma moção exigindo reflexão sobre o risco da fusão entre a Sky e a DirecTV, dois gigantes da TV via satélite, controlados pelo magnata Rupert Murdoch (foto). No início de novembro, parlamentares das comissões de comunicações serão convidados a dar explicações. O assunto voltou à baila na reunião mensal do Conselho, na segunda-feira 18, em virtude da capa de DINHEIRO da semana passada, com a chamada "Sua TV nas mãos de Murdoch". Ostentando um exemplar da revista, o conselheiro Antonio Telles, vice-presidente executivo da TV Bandeirantes, pediu atenção ao tema. "Precisamos enfrentá-lo com firmeza, há evidentes riscos de monopólio com o avanço das empresas estrangeiras", diz Telles. Nessa mesma direção, o grupo venezuelano Cisneros, dono de 14% da operação latino-americana da DirectTV, entrou com uma liminar na Justiça para bloquear a fusão.
fonte: IstoÉ Dinheiro 27/10/2004



Escrito por Editoria às 20h13
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