O exemplo da democracia sueca - por Emir Sader
O governo da Suécia aprovou uma lei que protege as crianças da publicidade: estão proibidos anúncios na televisão voltados para menores de 12 anos. A justificativa é que eles não têm idade para diferenciar um programa de um comercial.
A publicidade dirigida às crianças é estritamente regulamentada e até mesmo completamente proibida na televisão. O governo busca, com o apoio da opinião pública, proteger os jovens das pressões comerciais. "Somente quando as pessoas tenham idade para compreender os objetivos escondidos da publicidade é que é desejável expô--las", afirma o ministro da Cultura. Deixar que o mercado faça o que deseja é "contrário aos valores democráticos", complementa ele.
Especialistas consideram que "as crianças têm o direito a zonas protegidas", porque elas não nascem com os anticorpos necessários para se defender das pressões comerciais. As autoridades ousam constatar que as crianças não distinguem bem a publicidade dos programas. Até mesmo a entidade que engloba as empresas de publicidade considera que não se deve suscitar nas crianças "inconscientes do que é razoável desejar", "desejos que eles não são podem realizar".
O governo decidiu, baseado nesses argumentos:
- Banir da televisão todas as publicidades voltadas para os menores de 12 anos (brinquedos, roupas, comida);
- Publicidades destinadas aos adultos não podem de forma alguma seguir ou preceder imediatamente os programas para as crianças;
- No conteúdo das mensagens publicitárias, é proibido aparecerem pessoas ou personagens que desempenham papel central nos programas infantis (apresentadores, heróis de histórias) ou colocar em cena crianças atores. O simples recurso a elementos temáticos referidos a crianças (vozes, risos etc.) é igualmente proibido, porque o legislador sabe como essa idade é sensível aos apelos de identificação.
Conforme uma pesquisa levada a cabo pelo Conselho de Consumo, 88% das pessoas se mostraram favoráveis a essas decisões e 82% declararam ser favoráveis à sua extensão aos outros meios de comunicação. O governo considera que o direito de proteger as crianças está acima da "liberdade" das empresas de tentar vender, da melhor forma para eles, suas mercadorias. Considera que as crianças não podem ser reduzidas a objetos das campanhas de publicidade.
As decisões foram tomadas pelo governo sueco, não caracterizado como "totalitário" ou "inimigo do capitalismo", e podem ser consultadas no jornal Le Monde Diplomatique de setembro de 2004, no artigo "De lenfant roi à lenfant-proie", de autoria de François Brune. Mas, devido aos argumentos perfeitamente razoáveis, por que não seguir esses princípios aqui também, no Brasil? Vale pelo menos o debate, sem a desqualificação de que se trataria de "autoritarismo".
Emir Sader é professor da Universidade de São Paulo e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ. É também autor, entre outros, de A vingança da História.
fonte: Agência Carta Maior.
leia projeto que analisa os mecanismos de proteção à infância no mundo http://www.tver.com.br/leg.asp?leg=l2001071601.htm
Escrito por Editoria às 02h45
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A qualidade da TV em debate
A edição especial do programa Diálogo Brasil, que foi ao ar no domingo, dia 17 de outubro, marcou a Dia Nacional Contra a Baixaria na TV promovido pela campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania". A data, escolhida pelas entidades participantes da Campanha, coincide com o o Dia Mundial pela Democratização da Mídia. O programa foi ao ar pelas emissoras públicas e estatais, e contou com Beth carmona, presidente da TVE Brasil e do MIDIATIVA; a pscicanalista Maria Rita Khel; o sociólogo e jornalista Laurindo Lalo Leal Filho; Daniel Herz, do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação; Orlando Fantazzini, deputado federal e coordenador da Campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania"; Jorge da Cunha da Lima, presidente da ABEPEC, e teve a mediação de Florestan Fernandes Júnior. Transmitido ao vivo dos estúdios da TV Nacional, de Brasília, o Diálogo Brasil colocou em discussão a qualidade da TV no país. Além da transmissão do programa, a Campanha também conclamou a população a desligar seus televisores das 14h às 15h, como uma forma de protesto contra a baixa qualidade da programação. Em comunicado lido no início do programa, a Associação Brasileira de TVs Universitárias - ABTU - reafirmou seu apoio à data de protesto, mas não concordou com o pedido de desligamento da TV. A ABTU considerou que isso poderia contribuir para "demonizar a TV, em vez de atrair o público para o debate". As emissoras universitárias também transmitiram o Diálogo Brasil. Qualidade da programação e concentração dos meios de comunicação A discussão teve início com o deputado Orlando Fantazzini, ressaltando que o objetivo da campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania" não é promover ações contra a televisão, mas de combater a má programação. Já Daniel Herz afirmou que enquanto os telespectadores não se mobilizarem, e forem "alfabetizados"a respeito da televisão, não há possibilidade de transformar a programação. Maria Rita Khel ressaltou a influência negativa que a TV exerce sobre as crianças, em especial com relação à banalização da violência, e ao consumismo. Beth Carmona destacou a importância de definir o que significa qualidade na TV, e a necessidade de priorizar o público infanto-juvenil. "A TV tem um grande potencial para a formação e a educação. Em países como o nosso as crianças passam pouco tempo na escola. Isso significa que acabam assistindo mais à televisão. Dessa forma, a necessidade de oferecer uma programação de qualidade é mais urgente. Precisamos formar telespectadores críticos, que possam cobrar mais qualidade", disse Beth completando que "baixaria é fácil de definir. Mas a qualidade nem tanto, pois o que eu considero como qualitativo pode não ser para o outro. Por isso, é preciso discutir todos os valores éticos e morais que definem a qualidade". A questão da concentração dos meios de comunicação, e do desconhecimento por parte da população de que as emissoras são concessões públicas, também foram temas tratados durante o programa. Segundo Laurindo Lalo Leal Filho, esse é um dos problemas mais graves envolvendo a TV."Os concessionários recebem algo que é público, e não pode servir apenas a interesses privados. A saída para isso é criar um órgão que regule estas concessões, além da modernização das leis. Por outro lado, é fundamental apoiar a TV Pública para que os telespectadores aumentem o seu nível de exigência, e pressionem as emissoras comerciais", afirmou. Laurindo também sugeriu a criação de uma lei que obrigasse às emissoras informar em sua programação que os canais de TV são concessões públicas. A necessidade de estreitar os laços entre a televisão e a escola também foi discutida. Beth Carmona ressaltou as ações que o MIDIATIVA realiza, por meio da Maleta MIDIATIVA que capacita professores para a leitura crítica da televisão. Resultados da ação X necessidade de melhorias técnicas O IBOPE registrou uma queda na audiência de 14%, entre as 14h e 15h do dia 17 de outubro, o que sugere adesão de uma parcela significativa dos telespectadores à Campanha. Segundo os dados,46,9% dos televisores da Grande SP estavam ligados. No dia domingo anterior, esse índice foi de 54,5% e no dia 3, de 57,5%. A Globo perdeu quase oito pontos. Apesar do alto nível dos debatedores, essa primeira tentativa de discutir a qualidade da TV em rede nacional apresentou algumas debilidades do ponto de vista técnico. A coordenação da produção foi falha, e o programa teve muitos problemas de áudio, além do formato, que deixou a desejar. O tempo reduzido do programa também comprometeu parcialmente a profundidade da discussão. Na opinião de Laurindo Lalo Leal Filho, o horário em que o programa foi ao ar também não foi o mais adequado, por não ter grande audiência. "Não há o hábito de assistir às emissoras públicas no domingo à tarde", disse Laurindo ao MIDIATIVA. Mas o pioneirismo da ação, e o fato de o programa ter reunido os maiores nomes envolvidos pela programação de qualidade do país, criaram um diferencial que deve ser aprofundado no futuro, segundo o sociólogo. Já para o deputado Orlando Fantazini, a organização do Dia Nacional Contra a Baixaria na TV superou as expectativas. "O importante foi que a campanha acabou perdendo o controle das atividades que foram organizadas em várias regiões. E isso foi muito positivo, pois mostra que a sociedade civil começou a se mobilizar", declarou ao MIDIATIVA. No dia 21 de outrubro, quinta-feira, a coordenação da campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania" deve se reunir para fazer uma avaliação do Dia Nacional Contra a Baixaria na TV.
fonte: MIDIATIVA http://www.midiativa.org.br/index.php/midiativa/content/view/full/1244/
Escrito por Editoria às 02h30
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Observatórios defendem acompanhamento social para equilibrar poder de meios de comunicação
Brasília - O Brasil já possui entidades nacionais e associadas a movimentos internacionais pelo controle social da mídia, com o objetivo de garantir que rádios, TVs, jornais e revistas cumpram com suas obrigações públicas. Há oito anos, o Observatório da Imprensa realiza esse trabalho. "A sociedade civil deve abranger sucessivos níveis de monitoração e atuação, de forma a diminuir a distância entre os poderes e a cidadania. O observatório propõe-se a funcionar como um atento mediador entre a mídia e os mediados, preenchendo o nosso 'espaço social', até agora praticamente vazio", diz o texto de apresentação do site da entidade (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/), organizada pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade de Campinas (Unicamp). "A sociedade precisa de uma mídia independente, mas para isso precisa de um contrapoder, que é a sociedade. Você tem, por exemplo, o poder Judiciário, mas tem o Ministério Público, que é o contrapoder", compara Alberto Dines, editor-responsável pelo Observatório da Imprensa. A cobertura da eleição municipal feita por cinco dos principais jornais de São Paulo está sendo acompanhada e estudada pelo Observatório Brasileiro de Mídia (www.observatoriodemidia.org.br). Essa é a primeira atividade do projeto, criado em agosto deste ano pelo Núcleo de Jornalismo Comparado da ECA-USP, a ONG brasileira Observatório Social e o Media Watch Global, um observatório internacional, com sede na França. A idéia surgiu no II Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, em 2002, quando foi criado o Observatório Mundial das Mídias, com a tarefa de estimular o surgimento de observatórios semelhantes nos vários países. O jornalista Carlos Tibúrcio, que atualmente é assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República, considera fundamental para a democracia "que associações, ONGs, sindicatos, movimentos sociais, igrejas, todas essas expressões organizadas da sociedade civil tenham meios de acompanhar criticamente esse trabalho que influencia decisivamente os rumos da própria sociedade". Para ele, a sociedade tem o papel de acompanhar a mídia criticamente para neutralizar e equilibrar "esse poder extraordinário que os meios de comunicação têm hoje no mundo e na sociedade brasileira também". Fundador da filial brasileira da Ação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio ao Cidadão (Attac-Brasil), Tibúrcio lembra que a importância do acompanhamento cresce na época dos processos eleitorais: "O que está em debate é o poder político da sociedade. Então, os meios de comunicação, tendo um poder de influência enorme, têm que ser acompanhados criticamente pela sociedade, não para que se imponha a eles qualquer censura, mas para que eles sejam fieis aos compromissos que assumem com a sociedade de busca da verdade, isenção, imparcialidade e contextualização da informação". As rádios comunitárias e as emissoras públicas, segundo Carlos Tibúrcio, têm um importante papel do processo de democratização nos meios de comunicação. "Existem variados tipos de rádios comunitárias, mas o importante é que se avance na legislação e na regulamentação. As rádios comunitárias são uma das expressões mais democráticas da liberdade de imprensa e de expressão", comenta. Para Alberto Dines, as rádios comunitárias "ainda não têm vida, escala e massa crítica para serem uma alternativa" no processo democrático. "Mas tenho certeza que serão. Poderão ser muito úteis, criando parâmetros para as rádios comerciais". Já em relação à atuação das rádios e TVs públicas no Brasil, Dines diz que é preciso diferenciar o público do estatal. "As emissoras públicas precisam estar distanciadas de qualquer vínculo com o Estado para ficar entre o ele e a iniciativa privada". Comparando o processo democrático do Brasil com o de outros países, ele ressalta que hoje, a mídia brasileira "está admitindo esses mecanismos de observação. Há 30 anos, quem ousasse fazer uma crítica à imprensa seria vetado, censurado e demitido. Alguns países ainda não admitem, como Argentina, México, Itália e Espanha", analisa. Alessandra Bastos
Portal da Cidadania - Radiobrás 19/10/2004
Escrito por Editoria às 02h27
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Nova agência do audiovisual enfrenta resistência dos privilegiados da mídia, diz governo
Brasília - O secretário-executivo do Ministério da Cultura (Minc), Juca Ferreira, diz que a nova Agência Nacional de Cinema e do Audiovisual (Ancinav), cujo projeto está prestes a ser encaminhado ao Congresso, pode ter um papel importante na democratização da comunicação no país. "Com o marco regulatório, a agência vai permitir que a sociedade brasileira tenha instrumentos para evitar o acesso predatório do mercado brasileiro audiovisual", afirma. Para o secretário, as críticas da grande mídia ao anteprojeto são equivocadas. "Elas representam interesses coorporativos de quem nunca foi regulado e constituiu estruturas de privilégios na área de comunicação. Além disso, não compreendem a importância do Estado como instrumento regulador e representante da sociedade como um todo", defende. Opinião semelhante tem Laurindo Leal Filho, jornalista, sociólogo e professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. "A resposta daqueles que são privilegiados foi brutal. Nunca se viu uma blitz tão grande contra o governo feita pelos grandes meios de comunicação. Essa reação mostra a dificuldade da luta. Mas o primeiro passo foi dado e a sociedade precisa entender os propósitos que estão sendo discutidos para dar respaldo a esse movimento", disse. Segundo Leal, é preciso discutir os efeitos da Ancinav na comunicação para mostrar à sociedade que o modelo pode mudar. "A projeto é muito tímido e só ganhou corpo porque alguns cineastas, de forma organizada, passaram a exigir uma maior proteção ao cinema brasileiro diante da selvageria que é a presença das multinacionais cinematográficas no Brasil. De qualquer forma, o governo está demonstrando bastante seriedade, para avançar a algum tipo de regulação do setor". Para a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert), que reúne os proprietários de empresas do setor, a criação da agência representará um retrocesso. A entidade encaminhou no dia 1o de outubro contribuição à Consulta Pública Proposta pelo Minc sobre o projeto de lei que cria a Ancinav. Segunda a nota, "o setor da cultura nacional não carece de regulação e fiscalização adicionais. A totalidade do conteúdo eletrônico que circula no país, já conta com um largo aparato que trata das questões inerentes à sua classificação indicativa, distribuição, comercialização, tributação, produção, adaptação, fiscalização, programação e punição." Se aprovada no Congresso, a nova agência terá como atribuições regular, estimular e fiscalizar as atividades de produção e de difusão de conteúdos audiovisuais no país, substituindo a Agência Nacional do Cinema (Ancine). O anteprojeto está no site do Minc na Internet para consulta pública. Quem quiser conhecer e enviar sugestões, o endereço é www.cultura.gov.br/projetoancinav. Daniel Dutra
fonte: Portal da Cidadania - Radiobrás 19/10/2004
Escrito por Editoria às 02h24
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Aprovada MP sobre dispositivo de controle para TVs
LEGISLAÇÃO
Os deputados aprovaram, na sessão extraordinária desta terça-feira, a Medida Provisória 195/04, que fixa novo prazo para que os aparelhos de televisão comercializados no mercado interno contenham dispositivo eletrônico que permita ao usuário bloquear previamente a recepção de programas. A data será estipulada em regulamento do Executivo e não poderá ser posterior a 31 de outubro de 2006. A proposta revoga a Lei 10359/01, incorporando seus dispositivos com redação adaptada à terminologia usada na legislação de radiodifusão. O Governo poderá prever medidas de estímulo à produção de aparelhos de menor preço com o dispositivo. Se ocorrer comercialização sem o bloqueador, o infrator estará sujeito a multa de 30% do valor do aparelho de televisão. O deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) relatou a MP e acatou cinco das dez emendas, introduzindo modificações que determinam ao Poder Executivo prever medidas de estímulo à produção de aparelhos de TV de menor preço que atendam às exigências de bloqueio. O relator aceitou ainda emenda que pede a exposição das razões que motivaram a classificação indicativa do programa para certa faixa etária. Multa Todas as empresas transmissoras ou retransmissoras de sinais de sons e imagens, operadoras do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD) deverão transmitir, juntamente com os respectivos programas, código ou sinal reconhecível pelo aparelho digital de modo a permitir o bloqueio. A infração a essa determinação implicará multa de R$10 mil a R$100 mil por programa, na forma do regulamento. Essas mesmas empresas terão de divulgar previamente suas programações, indicando de forma clara os horários e canais de exibição dos programas com restrição etária. A multa para o descumprimento será de R$10 mil por dia de programação não divulgado. O texto aprovado na Câmara agora será analisado pelo Senado. Eduardo Piovesan
fonte: Agência Câmara de Notícias 19/10/2004
Escrito por Editoria às 02h21
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Superligados na TV
Pesquisa realizada em dez países revela que crianças brasileiras são campeãs em ver televisão As crianças e os adolescentes brasileiros são provavelmente os que mais vêem televisão no mundo. Por outro lado, são os que menos lêem livros. Os que moram em grandes cidades quase não brincam. E a quase totalidade deles ignora a prática de esportes coletivos e o uso do computador. Essa gangorra é o retrato de uma pesquisa inédita feita pelo instituto Ipsos em dez países (entre eles Estados Unidos, Reino Unido e China). Foram entrevistados 5.500 pais e responsáveis por crianças e adolescentes de 2 a 17 anos. A pergunta: o que seus filhos fazem todos os dias? No Brasil, 57% dos 500 entrevistados responderam que seus filhos assistem a TV durante pelo menos três horas por dia e 31%, de uma a duas horas. Só 5% falaram que seus filhos não vêem TV. Os dados são mais conservadores que os do Ibope. Segundo o instituto, os telespectadores de 4 a 17 anos passaram em setembro, em média, quatro horas e 25 minutos por dia com a TV ligada. Em contraponto à televisão, 43% dos pais brasileiros ouvidos disseram que seus filhos não ocupam nada de seu tempo lendo livros ou brincando com os amigos; 79% disseram que seus herdeiros não praticam esportes coletivos; 69% afirmaram que eles não usam computadores. "O resultado é preocupante. Quando há mais TV do que leitura, há um empobrecimento do país. Não brincar também é perigoso. A criança que não brinca não conversa, fica isolada", diz Ana Bock, presidente eleita do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e professora da PUC-SP. Para Beth Carmona, presidente da TVE (emissora educativa do Rio de Janeiro), há um fator que faz toda a diferença na análise desses dados. "O tempo que as crianças passam nas escolas nos Estados Unidos e na Europa é de até sete horas por dia. Aqui, não passam mais do que quatro horas. Logo, os brasileiros ficam mais tempo em casa do que na escola, provavelmente vendo televisão", afirma Carmona, que também coordena a ONG Midiativa. O fato de a pesquisa da Ipsos ter sido feita no Brasil apenas em centros urbanos (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre), de acordo com Beth Carmona, explica a alta incidência de crianças que não brincam com amigos. Por trás disso, estaria o medo da violência nas ruas. Carmona responsabiliza parcialmente a política educacional brasileira por esse panorama de muita televisão e pouca leitura e brincadeira. Mas não isenta a televisão. "A TV pode levar a criança a conclusões distorcidas. A TV mostra uma rua mais perigosa do que ela é, e isso gera medo, neurose, violência. A influência da televisão no Brasil é muito séria. Nossas crianças são mais desinformadas. Na Europa, há uma tradição de TV pública com programação para criança mais elaborada." Para Rodrigo Toni, diretor-geral do Ipsos no Brasil, a pesquisa não permite afirmar que a TV afasta a criança dos livros e das brincadeiras. "Há muita televisão, mas o que as afasta das outras atividades são a falta de hábito e os ambientes educacional e familiar. Os vilões são os próprios pais, que não valorizam a leitura", diz. Opinião parecida tem a psicóloga especializada em famílias Lidia Aratangy: "Pais leitores têm mais chances de ter filhos leitores simplesmente porque as crianças percebem que aquele objeto deve ser muito importante para prender a atenção de uma pessoa tão importante". Ela recomenda também que os pais assistam à TV juntos dos filhos, para transformá-los "de esponjas em filtros". Segundo a psicóloga Ana Bock, "o ideal é que se gaste tempo vendo TV e também lendo. A leitura é ainda uma das ferramentas mais ricas que temos. Nela, é você quem faz o cenário, diferentemente do que ocorre com a TV". De acordo com Bia Rosenberg, gerente de produção da TV Cultura, a pesquisa retrata um aspecto cultural: "Já é uma tradição a família brasileira assistir a muita televisão. Isso não significa que sejamos mais burros, mas que escolhemos o que é mais fácil". Não é por acaso, portanto, que a MTV não tenha tido retorno de seu público-alvo (adolescentes e jovens) de uma vinheta que exibe há dois meses: "Desliga a TV e vai ler um livro". "Recebemos muitas felicitações de pais e professores", conta José Wilson, diretor de marketing do canal. Os adolescentes não se manifestaram. Daniel Castro
fonte: Folha de São Paulo 17/10/2004
Escrito por Editoria às 01h10
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Personalidades "desligam" Gugu e mundo cão
QUALIDADE
Campanha convoca telespectador a apagar o televisor hoje; profissionais da TV dizem quem merece "apagão" Se você tivesse que desligar sua TV por uma hora, qual escolheria? Que programa, em sua opinião, merece o seu "apagão"? Hoje, a campanha Quem Financia a Baixaria É Contra a Cidadania convoca telespectadores a desligar a TV por uma hora, das 15h às 16h. Se esse tipo de iniciativa tivesse algum impacto no Ibope -o que não costuma ocorrer- seriam prejudicados, entre outros, Gugu (SBT), Faustão (Globo) e Márcia Goldschmidt (Band), cujos programas começam a ser exibidos nesse horário. A intenção da mobilização, ligada à Câmara dos Deputados, é protestar contra conteúdos que "desrespeitam os direitos humanos e a cidadania" e instituir o 17 de outubro como Dia Nacional Contra a Baixaria na Televisão. Apesar de domingo ser uma espécie de símbolo da guerra por audiência, "baixarias" denunciadas por telespectadores abarcam os outros dias da semana. Por essa razão, a Folha perguntou aos próprios profissionais da TV que programa mereceria um "apagão" sem restringir ao horário e data estipulados pela campanha. Foi citado o telejornalismo mundo cão, que agoniza mas ainda sobrevive, que tem como seus principais representantes o "Cidade Alerta", da Record, e o "Brasil Urgente", da Band. Os policiais foram escolhidos pelo novelista da Globo Silvio de Abreu e o apresentador da TV Cultura Marcelo Tas, que os chamou de "safados" e "urubus da miséria humana". Os religiosos também tiveram destaque. Aguinaldo Silva, autor de "Senhora do Destino" (Globo), afirma que o missionário RR Soares, que tem programa diário no horário nobre da Band, seria desligado por ele "sem dúvida". Autor de novelas e séries, Lauro César Muniz respondeu com humor. "Desligaria as novelas mexicanas, sobretudo as produzidas fora do país", disse, numa alfinetada a tramas brasileiras que têm pinta de produção do México. Gugu Liberato, o sábado à noite -cujas atrações de maior audiência são "Zorra Total" (Globo) e "A Praça É Nossa" (SBT)- e o horário político também foram "vítimas" do "apagão" dos entrevistados. Apagão mundial A idéia é boicotar a TV não é inédita. Há pelo menos quatro anos, existe a campanha "TV Turnoff Week" (no Brasil, batizada de "Semana sem TV"), organizada por sites de vários países, sempre no fim de abril (ver www.adbusters.org e www.whitedot.org). Mais do que protestar contra conteúdos "pobres", os idealizadores têm a intenção de mostrar o tempo que "se perde" em frente à TV e como esse período poderia ser preenchido com atividades "mais úteis", como ler, ouvir música e conversar. É mais um dos exemplares de campanhas e boicotes surgidos com o avanço da internet. Em 2001, a campanha ganhou uma vertente brasileira que pregava, via corrente de e-mails, o "apagão" da TV por 15 minutos. À época, o estudante paulistano Bruno Tozzini, então com 17 anos, contou à Folha que difundiu a "Semana sem TV" entre amigos e familiares. Só conseguiu desligar o televisor de seu quarto -a mãe, por exemplo, adorava o "Show do Milhão", do SBT. Hoje com 21 anos, ele não desistiu do protesto e se "profissionalizou" no ramo. "Tenho um núcleo de ativismo há dois anos, que, além da TV, também aderiu ao "Dia de Não Comprar Nada", em 28 de novembro." Seu grupo também esteve em eventos como o Fórum Social Mundial, a Parada AME São Paulo e uma ocupação num prédio com integrantes do MSTC (Movimento Sem-Teto do Centro). Nesses últimos quatro anos, Tozzini "apagou" a TV em abril. Ainda não tinha ouvido falar da campanha de hoje, mas, como era de esperar, apóia a proposta. Mais novato no boicote televisivo, o estudante de publicidade Dante Augusto Cabral, 20, aderiu à "Semana sem TV" neste ano. Em sua casa, em Natal (RN), ele também só pôde desligar o aparelho do seu quarto, já que não contou com a adesão da irmã, de 16 anos, e dos pais. "Tentei convencê-los, mas não teve jeito. Só um amigo topou ficar sem TV por uma semana." O televisor, segundo ele, foi trocado por livros e CDs. "A TV traz poucos benefícios para mim e não quero sofrer lavagem cerebral." A TV na TV Além da proposta de boicote, este domingo terá uma série de atividades para discutir a televisão. A principal delas será um programa transmitido das 14h às 15h pela TV Cultura de São Paulo, TVE do Rio, além de outras educativas, comunitárias, legislativas, universitárias etc. Produzido em parceria pela Radiobrás (estatal de comunicação do governo) e o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o debate contará com a participação do deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), coordenador da campanha Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania, do jornalista Daniel Herz, um dos fundadores do FNDC, do sociólogo Laurindo Lalo Leal Filho, da ONG TVer, e da psicanalista Maria Rita Kehl, co-autora do livro "Videologias - Ensaios sobre a Televisão". Laura Mattos
Fonte: Folha de São Paulo 17/10/2004
Escrito por Editoria às 00h55
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Controle de qualidade da TV passa pela sociedade, dizem especialistas
QUALIDADE
Brasília - A psicanalista Maria Rita Kehl, autora do livro "Videologias" junto com jornalista Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás, disse hoje que a própria discussão sobre a qualidade na televisão nas escolas forma um senso critico entre telespectadores que pode ser fomentado dentro das salas de aula. A afirmação foi feita durante debate sobre a democratização dos meios de comunicação promovido pelo Programa Diálogo Brasil, da TV Nacional, neste domingo, Dia Internacional pela Democratização da Mídia.
Para ela, "O Brasil não precisa de meios de controle da programação, mas de criar formas de convívio social de lazer desligadas da televisão. Ela (TV) ocupa espaço demais na vida do cidadão brasileiro. Só o publico pode confrontar os interesses das emissoras e exigir compromisso ético dessas emissoras", destacou Maria Rita.
Já a jornalista e presidente da TVE/Rede Brasil, Bete Carmona, ressaltou que na Europa existem os mesmos tipos de problemas sobre o controle da qualidade dos programas na TV. Ela lembrou que a TV comercial tambem invadiu o espaço da TV pública e que uma das maneiras da sociedade tentar controlar a qualidade é por meio da participação em organizações não-governamentais (ONGs). "Existem uma série de organizações que trabalham junto às escolas, numa leitura crítica dos meios. Um trabalho realizado com professores para ensinar a discutir e a falar dessa televisão, que invade tanto a nossa vida e o dia-a-dia", afimou.
O presidente do Conselho da TV Cultura de São Paulo, Jorge Cunha Lima, destacou que a resistência para a criação de mecanismos de controle da programação não é uma questão da imprensa. Segundo ele, o que existe é a liberdade do dono da empresa de comunicação e não a liberdade de imprensa. "Essas empresas tinham que ter, no mínimo, uma consciência interna e respeitar a Constituição Federal, que é bem clara ao dizer que a TV foi criada para verificar os valores da familia", argumentou ele.
Para Cunha Lima a Constituição brasileira é a única que diferencia TV estatal de TV pública e TV comercial. "A TV estatal, institucional,independente do governo, o que é muito difícil. A TVE (Rio de Janeiro) já ganhou essa dimensão, a TV Cultura (São Paulo) e todos os governadores estão tendendo que as emissoras se modifiquem", avaliou ele.
tem seu papel de revelar as ações do Estado, seja no poder Executivo, Legislativo ou Judiciário. A TV pública é uma vontade da sociedade. Para que ela exista é preciso ter uma estrutura jurídica institucional independente do governo, o que é muito difícil. A TVE (Rio de Janeiro) já ganhou essa dimensão, a TV Cultura (São Paulo) e todos os governadores estão tendendo que as emissoras se modifiquem", avaliou ele.
fonte: Agencia Brasil http://www.radiobras.gov.br/materia_i_2004.php?materia=203878&q=1
nota do Tver- consulte as Cartilhas do Telespectador, da professora Celia Marques http://www.tver.com.br/edu.asp?edu=e2001030101.htm
Escrito por Editoria às 20h28
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João Kleber lidera pela terceira vez a baixaria na TV
QUALIDADE
O programa "Tardes Quentes", apresentado por João Kleber na Rede TV, é o primeiro colocado da lista da baixaria na TV. Com 85 reclamações dirigidas à campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania", o programa foi considerado impróprio para o horário, além de utilizar apelo sexual e a incitação à violência. É a terceira vez que o apresentador chega ao topo da lista. "É lamentável ver o apresentador João Kleber nessa posição, depois de tantos compromissos firmados com a campanha de que os seus programas passariam por reformulações, mas isso não ocorreu", disse o deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), coordenador da campanha. João Kleber já liderou a primeira, a terceira e agora a sétima sistematização. A coordenação da campanha contra a baixaria na TV, uma iniciativa da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e de 60 entidades da sociedade civil, listou os 10 programas mais denunciados no período entre dia 7 de maio e 11 de outubro deste ano. As denúncias são dirigidas ao 0800619619 e ao e-mail eticanatv@camara.gov.br. Celebridade - Em segundo lugar ficou a novela "Celebridade", da Rede Globo, mencionada por 34 telespectadores que consideraram o horário de sua exibição como impróprio, muitas cenas de sexo e imagens que incitavam à violência. Trinta e duas denúncias foram para o "Programa do Ratinho", do SBT, terceiro lugar por ridicularizar as pessoas, apelo sexual e por ser exibido em horário inadequado. A novela das oito "Senhora do Destino", também da Globo, recebeu 23 reclamações por incitação à violência, horário impróprio e por exibir cenas que ridicularizam as pessoas. Ficou em quarto lugar. O programa "Pânico da TV", da Rede TV, ficou em quinto lugar com 21 reclamações que vão desde o horário impróprio, o apelo sexual e quadros que ridicularizam o ser humano. A outra novela da Rede Globo que apareceu na lista foi "Da Cor do Pecado", que ia ao ar às 19h. Em sexto lugar, a novela obteve 19 queixas, que ficaram por conta das excessivas cenas de sexo. O "Cidade Alerta", da Rede Record, apresentado pelo jornalista Marcelo Resende, ficou em sétimo lugar. Foi classificado como um programa que incita à violência e explora a imagem das pessoas. Também o "Casos de Família", do SBT, comandado por Regina Volpato, foi denunciado pelos fato de ridicularizar as pessoas. A "Casa dos Artistas", o reality show do SBT, ocupou o nono lugar. Cenas apelativas de sexo foram os motivos das denúncias. O "Brasil Urgente", apresentado por José Luiz Datena na TV Bandeirantes, recebeu protestos por veicular imagens que ridicularizam as pessoas. Foram recebidas 500 denúncias, sendo que 374 foram fundamentadas, mas a campanha contabilizou apenas as 248, referentes aos 10 programas que mais receberam reclamações da população. O sétimo ranking está disponível em www.eticanatv.org.br. A Campanha quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania foi criada em 13 de novembro de 2002 e até agora já contabilizou mais de 15 mil e-mails, entre manifestações de apoio e denúncias contra os programas que desrespeitam os direitos humanos. Desliguem a TV - O próximo domingo, dia 17, foi escolhido pela campanha como O Dia Nacional Contra a Baixaria na TV. A campanha sugere às pessoas que desliguem seus aparelhos televisores entre 15h e 16h.
fonte: Agência Informes 14/10/2004
Escrito por Editoria às 16h16
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