Conteúdo para celular requer parâmetros

variados
Para emissoras de TV, faltam ser regulamentados o fornecimento de serviço e a cobrança
Carla Affonso, diretora da joint venture Endemol Globo: "Falta ainda saber como divulgar o conteúdo" do serviço
Os gols dos jogos de futebol da Liga dos Campeões, na Europa, em breve vão poder ser vistos no celular no Brasil. Chegarão especialmente editados para a telinha do telefone, com a imagem mais próxima do que na TV. A TopSports Esporte Interativo está acertando o acordo com uma operadora.
O diretor da empresa, Maurício Portela, não quis informar qual será a empresa a prestar o serviço e ainda não sabe quanto será cobrado do usuário. Mas garante que o serviço será mais barato do que os atuais 5 euros que são cobrados na Europa por um download de um gol. Para a transmissão de lances de partidas do Brasil, Portela diz que há necessidade de definições e negociações com os times brasileiros em torno de direitos e remuneração adequada.
De qualquer forma, para deslanchar a esperada oferta de conteúdo multimídia para o celular, ainda faltam ser definidos parâmetros como fórmula de remuneração, divulgação adequada e um marco regulatório específico, segundo as empresas do setor que estiveram ontem, no Rio, participando do seminário Convergência de Conteúdo, promovido pelo Instituto Brasileiro de Televisão.
Carla Affonso, diretora da Endemol Globo, empresa responsável pelos programas de sucesso na TV, como "Big Brother Brasil" e "Fama", entre outros, explica que a joint-venture entre as Organizações Globo e a holandesa Endemol já oferece jogos em parceira com a Claro, mas estuda outras aplicações: "Falta ainda saber como divulgar o conteúdo". Além disso, ela diz que o faturamento hoje é basicamente repartido como uma receita compartilhada, mas ainda há dúvidas se esta é a forma ideal.
Carla afirma que a demanda por produtos interativos é crescente. Cita como exemplo o próprio Big Brother. Um dos sucessos do programa deste ano foi o serviço de escuta, pelo telefone, das conversas na casa onde foi realizado o programa. Foram consumidos um total de 12 milhões de minutos.
Boa parte das preocupações, ao menos no que toca às empresas de TV aberta - as maiores geradoras de conteúdo - está no "vácuo na legislação" como diz o presidente da Associação Brasileira de Radiodifusão e Telecomunicações (Abratel), Roberto Wagner Monteiro. Ele lembra que a legislação fixa parâmetros diferenciados para as concessionárias de TV aberta e para as operadoras de telecomunicações, entre elas origem de capital e perfil de serviços. Monteiro avalia que as fronteiras e as normas precisam ser fixadas, pois faltam regras. Seu questionamento é: se uma empresa de telefonia pode transmitir conteúdo, uma TV aberta também poderia oferecer serviço de telefonia.
A expectativa de Monteiro é de que indefinições vão começar a ser esclarecidas por meio da Comissão de Comunicação Social do Congresso Nacional, que se reúne em duas semanas, para discutir a regulação.
A expectativa dos especialistas presentes ao encontro é de que a discussão em torno da legislação vai tomar nova dimensão exatamente diante da demanda do mercado em torno da convergência, a oferta de conteúdo para entretenimento e serviços em diferentes mídias. Ao mesmo tempo, o polêmico anteprojeto de lei que criará a Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual, que aborda a questão do conteúdo, teve ontem o prazo de consulta pública postergado por mais 15 dias, o que irá dar mais tempo para debates. Heloisa Magalhães
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 fonte: Valor Econômico 10/9/2004
 
 


Escrito por Editoria às 19h16
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MP entra com ação contra baixaria na TV

A campanha Quem Financia a Baixaria é contra a Cidadania, criada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara, foi a base para a uma ação civil pública apresentada, na semana passada, pelo promotor da Justiça do Consumidor de São Paulo, João Lopes Guimarães Júnior. A ação é contra programas como Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, e Cidade Alerta, da TV Record. O Ministério Público quer que programas como esses, que apresentam cenas de violência, sejam exibidos apenas depois das 22 horas.
A ação do MP também quer obrigar as emissoras a divulgar advertência aos telespectadores sobre o conteúdo violento desses programas. A ação foi fundamentada com dados da campanha, criada há quase dois anos pela Comissão de Direitos Humanos, e que, desde então, vem recebendo via internet, ou pelo telefone 0800-619619, críticas e denúncias contra alguns programas televisivos.
O deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), integrante da comissão, elogiou a ação do MP e disse que ela é uma continuidade dos trabalhos que a campanha vem realizando. “O Ministério Público só veio reforçar os nossos argumentos. Estamos preocupados com a cidadania, com os direitos da criança e dos nossos jovens. Lamentavelmente, as emissoras estão preocupadas com o faturamento”, disse Fantazzini.
De acordo com a coordenadora técnica do Conselho Federal de Psicologia, Cleide Souza, a agressividade é uma das conseqüências das mais devastadoras que podem ocorrer às crianças por estarem expostas à violência excessiva mostrada nas televisões. Para a psicóloga, a deturpação dos valores gera alterações comportamentais e atrapalha o desenvolvimento da criança e do adolescente. A ação pública do MP foi encaminhada à Vara Civil da capital paulista.

 
10 de setembro de 2004 - Ano 6 Nº 1293


Escrito por Editoria às 19h02
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