Autor: Nelson Hoineff

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A primeira vítima é a verdade Desde que o governo apresentou o anteprojeto da lei que transforma a Agência Nacional do Cinema (Ancine) em Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), em agosto de 2004, ficou claro que um importante campo de batalha estaria situado na mídia. A mídia foi, na verdade, o primeiro entre todos os campos de batalha. Ela começou a manifestar-se sobre o assunto antes mesmo de sua discussão no âmbito do Conselho Superior de Cinema (CSC), que é o foro adequado. E manifestou-se com tanta veemência - mas ao mesmo tempo com tanta falta de informação - que acabou criando quase que um sentimento nacional sobre a questão da Ancinav, embora tenha produzido quase nenhuma massa crítica sobre o projeto. Passados quatro meses, 12 reuniões e mais de 110 horas de discussão no CSC, o projeto foi bem aprimorado em relação à sua configuração inicial. Deveria ter sido discutido no pleno do Conselho (isto é, os 18 integrantes da sociedade civil mais os 9 ministros de Estado) na quinta-feira, 16/12. Mas a reunião foi adiada, o que deu margem a especulações. A versão oficial é que não foi possível conciliar a agenda dos 9 ministros para essa data. Outras versões falam de pressões vindas de todos os lados, principalmente dos radiodifusores, para que o envio do projeto ao presidente da República seja protelado tanto quanto possível. E até para que o presidente desista completamente de sua intenção de enviar o projeto da criação da Ancinav ao Congresso Nacional. Nesse contexto, a batalha na mídia ganhou em intensidade. Mas há indícios de que tenha perdido mais ainda em substância. Como em qualquer outra guerra, a primeira vítima está sendo a verdade. A isenção é possível? O assunto acabou se transformando num grande desafio para a mídia. É possível, por exemplo, haver cobertura imparcial de um jornal, se uma emissora de TV do mesmo grupo é uma firme antagonista do projeto?

leia o texto na integra em http://www.artv.art.br/palavra/debates/nove.htm